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ESCOLA POLITÉCNICA DA PARAÍBA

Heitor Maia Neto

DIMENSÃO NORMATIVA

O edifício que está inserido no Campus da UFCG/ Universidade Federal de Campina Grande, no bairro de Bodocongó, em Campina Grande, e não se encontra sob nenhuma lei de proteção patrimonial. Observou-se que infelizmente, a própria instituição não possui ainda uma política de preservação do acervo arquitetônico de seu próprio campus, que é propriedade do governo federal

DIMENSÃO HISTÓRICA

A Escola Politécnica de Campina Grande foi a primeira instituição de ensino superior (06 de outubro de 1952) da cidade, e funcionava em imóveis alugados (TORRES, 2010). A partir de 1958, iniciou-se o processo de aquisição do terreno para a construção de um edifício próprio (RIBEIRO, 2016), no bairro de Bodocongó, em área doada pela Fundação para o Desenvolvimento da Ciência e da Técnica (FUNDACT). No ano seguinte, vários arquitetos nordestinos concorreram com estudos para o prédio, sendo Heitor Maia Neto, o arquiteto selecionado para apresentar uma proposta final. Do projeto original aprovado, somente o edifício destinado ao setor administrativo e parte da área de ensino- foi construído, totalizando uma área coberta de 2.641,30m².

O projeto arquitetônico foi iniciado no ano de 1959, de acordo com os carimbos das plantas existentes no Arquivo Municipal de Campina Grande/ AMCG, aprovado em 1960 pelo DVOP/ PMCG, sendo parte da obra concluída em 1961.

Escola Politécnica da Paraíba
Escola Politécnica da Paraíba
Escola Politécnica da Paraíba

DIMENSÃO ESPACIAL

Quanto à resolução das plantas e o domínio do programa, o arquiteto partiu de uma disposição em forma de pavilhão, intercalada com dois volumes que dialogam entre si, dividindo os usos em quatro níveis, sendo esses, pilotis, mais dois pavimentos, e um trecho no subsolo. Constata-se um jogo neoplástico no desenho do zoneamento das áreas, muito empregado por arquitetos de formação moderna.

 

A planta foi trabalhada com uma trama ordenadora, modulada, criando malhas que estruturam toda a proposta, influenciado pelo processo projetual de seu mestre Mario Russo, de quem disse ter recebido várias contribuições profissionais (AFONSO,2005).

 

O volume principal, o de maior extensão e com maior altura, apoiava-se sobre pilares em forma de V, liberando o solo para circulação e espaços de convívio. Este foi proposto em forma de lâmina, dividido de forma racional em seis módulos no sentido horizontal, por dois módulos no sentido vertical.

 

Nele estavam projetadas as salas de aulas e bloco de baterias sanitárias nas extremidades, com caixa de escada helicoidal, que marca a composição espacial e interliga todos os níveis do edifício.

 

Articulado a esses pilotis, encontra-se um bloco térreo, destinado às funções administrativas. Este é mais baixo, composto de cinco módulos no sentido horizontal, por dois módulos no sentido vertical. Esse volume adentra o volume principal, criando um rico jogo volumétrico.

DIMENSÃO TECTÔNICA

O sistema construtivo adotado foi o concreto armado, presente em vigas e pilares, que foram estruturados em pórticos que criam um ritmo na volumetria. As peles do edifício adotaram soluções apropriadas para cada fachada, de acordo com suas respectivas orientações climáticas, mas observou- -se que houve modificações durante a obra, substituindo panos de brises, por exemplo, por soluções mais simples de pequenas janelas. Originalmente, foram usadas esquadrias de madeira maciça com venezianas e vidros, que foram sendo substituídas ao longo dos anos, na fachada norte.

 

Quanto à materialidade, observou-se a adoção de grandes panos de alvenaria revestidos com pintura na cor branca, estrutura aparente em concreto, planos em tijolos cerâmicos, com esquadrias em madeira e vidro. Maia Neto usava a pedra, sempre para revestir a base do edifício e soltá-lo do solo.

Escola Politécnica 2
Escola Politécnica 3
Escola Politécnica
Escola Politécnica 4

DIMENSÃO FUNCIONAL

O edifício fazia parte de uma proposta mais ampla, contudo, por falta de recursos, construíram apenas parte desse estudo. Originalmente, foi projetado para abrigar o setor administrativo e salas de aulas do curso de engenharia civil da antiga Escola Politécnica (ALMEIDA, 2019), mas atualmente, abriga setores do Centro de Humanidades da Universidade Federal de Campina Grande.

 

Essas transformações de uso, ao longo dos anos, vêm causando descaracterizações na edificação.

DIMENSÃO DA CONSERVAÇÃO

Conforme foi colocado anteriormente, devido aos diferentes usos ao longo dos anos, a edificação vem sofrendo adaptações que não respeitaram os critérios projetuais da proposta original.

 

A colocação de placas de formaturas nos elementos estruturais do pilotis poluem visualmente a obra, além de condicionadores de ar, aberturas indevidas em pavimentos, como uma série de elementos parasitários os quais criam patologias que necessitam de condutas adequadas para a salvaguarda desse edifício, sendo esse um marco na produção arquitetônica moderna campinense.

 

Acredita-se que antes de tudo, a própria prefeitura do Campus da UFCG no bairro do Bodocongó, deva realizar urgentemente um inventário de suas obras patrimoniais de interesse histórico e arquitetônico, e tentar preservá-las ao máximo, fato que infelizmente não vem ocorrendo.

REFERÊNCIAS

AFONSO, A. La consolidación de la arquitectura moderna en Recife en los años 50 en Recife. Tesis doctoral Departamento de proyectos arquitectónicos. ETSAB/UPC. Barcelona. 2006.

 

ALMEIDA, J. N. Acesso e permanência de estudantes egressos da escola pública no ensino superior: um olhar crítico para as espacialidades na Universidade Federal de Campina Grande, Campus Sede. Recife: Tese (doutorado) - Universidade Federal de Pernambuco, CFCH. Programa de Pós-graduação em Geografia, 2019.

 

RIBEIRO, R. P. A faculdade que forja memórias: o papel da Escola Politécnica da Paraíba na formação de uma memória de Campina Grande (1952- 1958). Fortaleza: XVI Encontro Estadual de História do Ceará. 2018.

 

TORRES, J. V. O. Escola Politécnica e a construção identitária de Campina Grande como polo tecnológico (1952-1973). Campina Grande, UFCG: 2010. Dissertação de Mestrado em História – UFCG

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